sábado, 25 de outubro de 2014

Mas como assim você não...?

 - E aí, você...?
Olha para o teto. Vira de lado, suspira, olha para ele, olha para o teto. Resposta difícil. Não queria e não iria mentir, mas tampouco queria aguentar o drama. Sim senhor, o drama. Muito se fala do drama feminino, constante e por qualquer coisa. Mas poucas coisas são tão irritantes quanto o drama masculino, justo na hora em que menos se quer ouvir. Há quem insista que são as meninas que gostam de conversar logo após mas não ela. Adorava aquele silêncio, olhar o teto, aproveitar o vazio da mente. No máximo um segurar de mãos, afinal quem estava ao seu lado era um quase desconhecido. Desnecessárias eram as conversas miúdas. Não precisa fingir que se importa se o dia foi bom, sério. 
- Oi? Tá aí? - viu um rosto olhá-la. Voltou dos seus pensamentos, suspirou mais uma vez e disse:
- Não
- Como assim não?
- Não ué.
- Mas... 
Silêncio novamente. Agora do tipo constrangedor. Ai-meu-deus, ela não... Depois dos bons 5 minutos de constrangedor silêncio ela decidiu que era hora de seguir em frente. Sentou-se e olhou ao redor, procurava sua roupa e quando teve certeza de ter localizado todas as peças levantou-se, pegou cada uma e vestiu. Fazia isso sem olhar para o rapaz deitado na cama, quando percebeu que poderia estar sendo indelicada e olhou de leve, encontrou seus olhos, deu um sorrisinho amarelo. Foi ao banheiro. É sempre bom arrumar os cabelos antes de sair, ninguém precisa saber o que estava fazendo. Voltou, sentou na cama. Ele também já se vestia. Pagaram a conta e foram embora. No carro o silêncio continuava, ela checava algumas coisas no celular.
- Então quer dizer que você não...
Olhou para o lado, como que assustada pela insistência. Ai meu Deus lá vem, de novo não!
- Não
- Mas nem chegou perto?
- Ah cheguei perto sim...
- Hehe menos mal.
É, cheguei perto sim. Mas dali para frente eu iria precisar de pelo menos mais uns 10 min e você meu bem, não iria aguentar. Tudo bem, não tem problema. Eu tenho os meus subterfúgios. Haha palavra engraçada e complicada para dizer que eu faço justiça com as próprias mãos.
- Tchau linda, a gente se vê...
Beijinho pudico, sem língua. Engraçado como são essas coisas. Mais tarde naquele dia, ela mandou uma mensagem. Não entendia o protocolo de esperar o cara ligar novamente. Alguém disse para ela que era bom fazer isso,para não parecer desesperada. Mas eu não estou desesperada ué, qual o problema? Mandou, contrariando todas as cartilhas, revistas e conversas de suas amigas. Foda-se, ninguém precisa saber.
Oi gata, tudo bem?
Tudo sim e com você? Adorei ontem :*
É, eu também... mas me diz uma coisa, você não... mesmo?
Haha não não, porque você insiste nisso?
Ah, sabe como é... a gente se esforça tanto... :(
Porra, se esforça tanto? Pensou. Não meu bem, você não se esforça tanto. Aliás, se ela tivesse a paciência iria ensinar uma ou duas coisas sobre línguas e dedos e quadris. Iria ensinar sobre sinais. Mas tinha preguiça, afinal, mais 2 encontros e eles não se veriam mais. Era mais ou menos esse o padrão. Era tudo muito bom, tudo ia muito bem mas como ela não tinha paciência de fingir um grand finale eles acabavam se sentindo acuados. Afinal, que feras feridas! Crentes de que conseguiam isso com todas as parceiras e justo ela, aquela desajustada, quiçá frígida ousava não encontrar o paraíso e as borboletas coloridas em seus braços. Mas como assim você não...? E ai tinha que explicar, afinal foda-se quaisquer outro aspecto da vida dela, o importante era saber o porquê ela não chegava lá. Explicar que, pois é, não chegava lá, nunca tinha chegado com ninguém a não ser ela mesma, sim, já haviam passado alguns e nenhum bravo guerreiro havia conseguido. Mas e por que ela continuava a fazer? Perguntavam uns. Ué, porque é bom. Exercita, libera endorfinas. Não entendiam, as vezes nem ela entendia.
Mais uma vezes eles se vêem. Dessa vez ele decide se esforçar, passar o máximo de tempo possível tentando. O problema é que nem sempre isso é tão afetivo. Sabe, se você perde o tempo da coisa não adianta continuar tentando, agora é esperar a próxima chance. A pior parte eram as explicações:
- Você estimula demais.
- Você deve ter muitos bloqueios mentais.
- Você não se entrega.
- Talvez você até chegue, mas você não percebe.
- Você fica tão noiada com isso, que não consegue.
Puta que pariu calem a boca! Não ela não estimulava demais, não ela não tinha bloqueios mentais. Estava cansada da mesma coisa, do mesmo drama. Olhava para o lado e pensava. Poxa, quem deveria estar triste era eu que estou aqui, sem ter perdido o fôlego, esperando pela próxima na esperança de ter um final melhor. Não o problema não estava com ela. Talvez um pouco, mas não da forma como tentavam colocar. Afinal, sozinha e sem ajuda de utensílios ela conseguia perfeitamente, qual era a diferença então? Foi aí que começou a ter medo. Será que precisava se apaixonar? Ou talvez tentar uma daquelas esquisitices indianas que duram horas? Ou quem sabe deveria estar jogando no outro time? Não sabia.
O jeito então, era continuar tentando. Uma hora tinha que chegar lá.

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