Odiava essa sensação. Essa dependência. Dois dias sem conversas e parecia que todas as promessas, tudo aquilo era bobagem. Como se pudesse ver o futuro, esperava a cartada final. As palavras que iriam dar um fim a tudo. Esperava-as tanto que as vezes se perguntava se não queria realmente ouví-las. Será que queria mesmo aquilo? Ou era a ilusão, o teatro que a seduzia? Por que então ficava a espreita daquelas palavras, se controlando para não encontrá-la em outras bocas? A angústia. Já havia sentido anteriormente aquela angústia e ela nunca era um bom presságio. Ridícula. Afastava tanto as pessoas para depois chorar a sua própria solidão, masoquista que era. Não tinha tanta certeza de nada, apenas que queria acabar com aquilo. Se desligar um pouco e ir por aí de qualquer jeito. A mente solta, leve, sem pensar em muita coisa. Tinha vontade de chorar. Engolia, tinha gosto amargo. Olhava pela janela, nenhum sinal, nenhuma placa que pudesse encontrar e simplesmente tomar alguma direção. Insuportável isso. Queria parar. Queria ver as palavras e dar um fim, procurar uma outra coisa, qualquer coisa.
Mas não conseguia sequer se mexer.