Você já parou para pensar nas histórias por traz daqueles sorrisos? Daqueles corpos bonitos que ficaram feios com o tempo. Imaginar quais eram seus sonhos, seus medos e desejos e perceber o que mudou, 20, 30, 40 anos depois? O que pode ser feito? O que muda a gente tanto? Quando viver deixou de ser algo simples?
Ela era uma menina, de corpo miúdo com lindas formas, sorriso doce. Ele alto, olhar sério, um bigode cheio, cabelos pelos olhos. Peles queimadas do sol, bebês gorduchos rindo, lavar e colocar roupas no varal.
Deitada ela olhava tudo aquilo, contra a luz aqueles momentos tomavam vida.
Quando sair do quarto escuro seria realmente um ato de conforto?
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
domingo, 23 de novembro de 2014
As vezes ela se sentia como um desenho incompleto. Um rabisco sem forma, sem sombra, sem profundidade. Interminada. Sem olhos ou boca, só sentimento. E deitada ela se deixava absorver pela cama, pelo lençol. Se alguém entrasse ali não a notaria, pois ela, ser amorfo, já era parte do quarto. De uma forma ou de outra, pura angústia. E se escrevesse ou gritasse? Qual diferença faria afinal?
domingo, 9 de novembro de 2014
Deitou na cama. Olhou o teto, suas pernas estavam estendidas, apoiadas de forma a fazerem um ângulo de 90º com seu corpo. Alguns pedaços do seu coração estavam na sua mão direita, os outros espalhados por aí. Sentia o seu corpo flutuar, mas não da maneira gostosa. Era a maneira perdida de se flutuar, se perdendo, desaparecendo. Olhava o teto mas não via nada, apertava a mão direita. Suspirou. Não sabia muito bem o que fazer com aquela informação, não fazia sentido muita coisa aliás. Fechou os olhos e tentou ver o que não conseguia com eles abertos. Lembranças. Passavam todas correndo, se esbarrando, se misturando. Ela não conseguia captar a essência de nenhuma delas. Seu corpo ainda flutuava, se perdendo, indo embora. Era preciso ir embora afinal, deixar tudo aquilo mas ela ainda não conseguia. Qualquer coisa de louco ou masoquista a prendia. Talvez nem um, nem o outro, apenas a esperança. Mas qual esperança? Ficou se perguntando. Abriu os olhos e não encontrou muitas respostas, os pedaços ainda estavam em sua mão. Olhou seus pés, mexeu os dedos para ter certeza de que eles ainda serviam. Suspirou fundo, decidiu sentar. Olhou mais uma vez os pedaços em sua mão, se levantou e foi até a janela. Ao abrí-la viu o quarto ser invadido de sons, cores, cheiros. Entraram também lembranças pois daquela janela podia ver o letreiro vermelho e nós bem sabemos o que aquele letreiro significava. Pegou o conteúdo da sua mão e soprou. Viu os pedaços rodopiarem no ar, dançarem. Quem sabe estariam livres enfim. Sentiu um certo alívio. Dormiu para não acordar mais. Pelo menos não naquele corpo.
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