sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Madrugada

Sentou no banco. Sentiu o vento brincar com seus cabelos, não se importou com a bagunça. Respirou fundo e olhou o mar. Não viu o tempo passar e nem pôde precisar o momento em que deixou de estar sozinha. Não queria pensar na pessoa ao seu lado e procurava ignorar ao máximo a sua existência, até que esta foi tomando conta dela. Como sempre. Inevitavelmente, sem aviso, sem pudor, sem necessidade. Suspirou.
- Isso não é justo.
Silêncio. Decidiu então que era momento de falar tudo, queria explodir em palavras e contar todas as coisas de todos os anos e todas as dores. Abriu a boca. Fechou. O que falar? Não existia mais nada, as palavras fugiram, viraram sentimentos confusos. O mar ali, que não levava nada disso embora. O mar. Levantou-se, tirou a blusa, saiu correndo o mais rápido que pôde. Esbarrou em pessoas, cadeiras, nela mesma, sentiu a água molhando os pés, depois os joelhos, a cintura, o peito. Chorou o que podia e não podia. Viu-se misturar com o mar. Não se importou quando não viu mais volta. Doeu foi não ter o salvamento que esperava, mas enfim, essa história de que quem espera sempre alcança é balela mesmo. Engoliu água, engoliu a si mesma. Foi visitar as terras de Aiocá.
Mas vai ficar tudo bem, afinal. Isso eu prometo.

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