segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sentou-se em frente à tela. Pegou as cores e de forma aleatória foi jogando, pintando a sua angústia com quantas cores fossem necessárias. Mas as cores foram voando para fora da tela, caindo na folha e se transformando em palavras que estavam há muito guardadas. As palavras foram preenchendo as folhas, preenchendo a angústia, de repente tornando-a mais forte. Voltam as cores porque faltam as palavras na expressão. Sem expressão volta o vazio, o adormecimento da palavra, da cor. Vêm as colagens que juntam palavras e cores de forma inusitada e confusa, traduzindo tudo aquilo que se perdia no pensamento e se confundia na memória. 
Suspiros, lágrimas, gritos, ausência. Tudo batia em sua mente, tudo se transformava. As cores que pulavam da tela atravessavam-lhe o corpo e vinham parar na folha. Tantas palavras traduzidas. Tantas palavras que vão se calando e se esquecendo.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Aracaju, 08 de abril

Caro sonho ruim,

Você começou em uma noite qualquer há uns 9 anos. Era tão poderoso,ou talvez tão charmoso que mesmo acordada eu pensava em você. Seu veneno era tão forte que jamais percebi que aquilo que era encanto, na verdade era morte lenta.  Eu só queria dormir para poder encontrar com você. A vida lá fora? Bobagem. Dormir é melhor.
Eu tenho vergonha. Tanta vergonha que metade das palavras que voam para os meus dedos eu jogo longe. Poxa.Você me magoou. Várias e várias vezes. Quando eu achava que ia embora você aparecia, me seduzia e eu voltava a dormir.
Agora eu acordei e ao meu redor vi uma realidade melhor do que meu sonho,isso porque ela é realmente melhor. Qualquer coisa é melhor.
Por isso essa é a última carta, de tantas. Eu vou embora. Embora de você, embora de quem eu era para chegar até você.
Quando sua próxima vítima quebrar seu coração,não venha chorando até a mim.