Eu preciso ir me espalhando,me dividindo, me consumindo por aí. Um dia de um jeito, amanhã de outro, ontem eu nem lembro quem eu fui. Procurando coisas que talvez não queira encontrar eu vou andando, olhando,analisando. Uma bagunça organizada, na minha mente reina o caos. Preciso ler, ouvir, conhecer, provar, me sentir rodeada por tudo isso, me fartar. Depois, tal qual uma cobra me recolho para digerir tudo,pensar mais coisas. Só então devolvo ao mundo o resultado dos meus pensamentos,regurgito o necessário para mostrar o que me traz aqui. Preciso escrever, preciso me manifestar de alguma forma. É escrevendo que me entendo, me reconheço. Desenho aquilo que não posso escrever. Queria poder cantar também. Gosto das madrugadas, do seu silêncio e temperatura. Quando todos estão dormindo, suspensos numa quase-morte, eu estou viva e cheia de pensamentos e ideias e palavras que vão saindo de meus dedos. Procuro qualquer coisa nessa solidão confortável. Ouço jazz e vibro com a confusão dos instrumentos, o gozo delicioso das vozes que inundam meu quarto. Quero tudo, tudo para mim. Absorver tudo o que puder. Mas as vezes antes mesmo do começo já estou cansada.
Mal de quem tem mil ideias a cada momento.
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