segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sentou-se em frente à tela. Pegou as cores e de forma aleatória foi jogando, pintando a sua angústia com quantas cores fossem necessárias. Mas as cores foram voando para fora da tela, caindo na folha e se transformando em palavras que estavam há muito guardadas. As palavras foram preenchendo as folhas, preenchendo a angústia, de repente tornando-a mais forte. Voltam as cores porque faltam as palavras na expressão. Sem expressão volta o vazio, o adormecimento da palavra, da cor. Vêm as colagens que juntam palavras e cores de forma inusitada e confusa, traduzindo tudo aquilo que se perdia no pensamento e se confundia na memória. 
Suspiros, lágrimas, gritos, ausência. Tudo batia em sua mente, tudo se transformava. As cores que pulavam da tela atravessavam-lhe o corpo e vinham parar na folha. Tantas palavras traduzidas. Tantas palavras que vão se calando e se esquecendo.

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