Você age como adolescente. Aquela frase, dia sem preparação nenhuma a chocou. Pensou em rebater e falar sobre a sua maturidade, sua idade, sua postura. Sou uma mulher feita. Pensou. Mas sabia que aquela frase, justo aquelas palavras, não poderiam estar mais certas. Não era uma mulher, se muito ainda era uma menina e a única maturação de sua existência era a sexual e mesmo assim sentia que andava longe disso. Suspirou. Vasculhou em sua mente momentos, histórias, questões. Percebeu que não passava de uma menina, mimada e assustada. Olhou-se no espelho, do corpo de mulher só tinha os quadris, arredondados, gordos. Faltavam-lhe seios. Coitado do meu bebê, não vai ter leite. Pensou no medo que tinha das coisas de gente grande: pagar contas, cuidar de uma casa, se casar, ter filhos. Tudo isso deixava-a aterrorizada. Responsabilidades de gente grande, ter que assumir a maturidade, ter que crescer realmente. Percebia a sua adolescência nas pequenas coisas, ao assustar-se com o estágio de vida em que se encontravam meninas da sua idade. Elas não eram mais meninas, eram mulheres. Onde então havia ficado a sua mulher? O que é ser mulher? Em sua cabeça ser mulher parecia algo estranho, proibido, carregado de significados e responsabilidades. Não queria, não via porquê.
Queria ser sempre menina, mas nem isso poderia ser...
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